Como fica a política do Ceará após investigações?
Supostamente sob os codinomes "Índio" e "Educador", Eunício Oliveira e Paulo Henrique Lustosa entram na lista de investigados da Operação Lava Jato. Estado tem poucos nomes na investigação
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Eunício Oliveira (PMDB), presidente do Senado: cearense é
investigado na Lava Jato PEDRO FRANÇA /AGÊNCIA SENADO
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Se comparado a São Paulo, Rio de Janeiro ou Bahia, o Ceará
ainda tem poucos envolvidos no âmbito da Operação Lava Jato. Até o momento, o
Estado tem dois investigados com foro, o senador Eunício Oliveira (PMDB) e o
deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PP), cujos nomes foram divulgados
ontem. Há ainda dois réus, o deputado federal cearense Aníbal Gomes (PMDB) e o
ex-senador pelo Estado e ex-presidente da Transpetro Sergio Machado.
É possível que o impacto da lista de Fachin na política
estadual seja brando. É o que defende a cientista política da Universidade
Federal do Ceará (UFC) Paula Vieira. Para ela, esse escândalo é de “peixe
grande” da política nacional, como Eunício. A pesquisadora avalia que, talvez
por isso, o foco tenha sido maior em outros estados, com maior visibilidade
econômica.“Acho que, no âmbito estadual, considerando a inserção na politica e
a influência econômica, Eunício está um pouco blindado, não vejo como ele
sofrer muito reflexo disso. Precisaria de um desgaste maior”, analisa.
Para o deputado Domingos Neto (PSD), nesta fase de
inquérito, as investigações não devem fazer estragos na política local. “Caso
haja uma condenação, sim. Mas ainda é muito cedo para falar, tanto jurídica
como politicamente”, disse.
O deputado federal Danilo Forte (PSB) afirma que,
independentemente de quem seja punido ou citado, os políticos do Ceará devem
aproveitar para rever a forma de fazer política. Ele evita palpites sobre os
efeitos da investigação no Estado. “Acho que 2018 ainda está muito distante,
sobretudo nesse quadro econômico politico e social que vivemos. Cada vez fico
mais convicto de que qualquer prognóstico pode ter ser leviano. A velocidade da
informação hoje é tão rápida e dinâmica que esse quadro pode mudar a qualquer
momento”, argumenta.
“Educador” e “Índio”
De acordo com o inquérito aberto pelo Supremo Tribunal
Federal, o senador Eunício teria recebido R$ 2 milhões. Anteriormente, o
parlamentar cearense havia sido apontado como o “Índio”, codinome da planilha
de pagamentos de propina da Odebrecht.
Por meio de nota, o senador cearense afirmou que vai
apresentar sua defesa, conforme prevê a Constituição. “A verdade prevalecerá. A
Justiça brasileira tem maturidade e firmeza para apurar e distinguir mentiras e
versões alternativas da verdade”, completou.
O deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PP-CE) teria
solicitado e recebido R$ 100 mil do Grupo Odebrecht por ocasião da campanha
eleitoral de 2010, quando disputou vaga para a Câmara dos Deputados. O
parlamentar, à época, era filiado ao PMDB. De acordo com o documento, Lustosa
era identificado na empresa pelo apelido "Educador". “Eu já esperava
porque, na lista do Cláudio Melo, que eu saí como beneficiário de doação da
Odebrecht, praticamente todo mundo que entrou vai estar na investigação”,
disse.
O deputado alega, no entanto, que o valor que recebeu como
doação não é dinheiro irregular. “O próprio Cláudio Melo diz que a doação que
ele fez foi por conta da minha relação com ele. Nos conhecemos desde a época da
universidade. Foi uma doação legal e não teve nenhuma irregularidade. Foi na
forma da legislação. Agora é esperar ser interpelado pela justiça e apresentar
minha defesa”, finalizou. (colaborou Wagner Mendes)
ISABEL FILGUEIRAS | RÔMULO COSTA


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