Protestos em Brasília repercutem no Ceará
A violência registrada nos protestos em Brasília, na última
quarta-feira, foi repudiada por deputados estaduais e vereadores de Fortaleza.
De um lado, lideranças que criticaram o que avaliam como “repressão” das forças
de segurança. Do outro, parlamentares que apontaram as responsabilidades de
sindicalistas e manifestantes na ocorrência de atos de agressão.
O deputado Fernando Hugo (PP) afirmou que a violência
observada nos protestos convocados pelas centrais sindicais em Brasília na
quarta-feira “foi feita de forma extremamente absurda”, lembrando que a mídia
mostrou o que ele considerou “a maior sandice comportamental já existente no Brasil.
” Segundo o parlamentar, as imagens exibidas são incontestáveis. E acrescentou:
“até a Catedral de Brasília, que é patrimônio arquitetônico da humanidade, foi
pichada, depredada e agredida”.
A postura do presidente Michel Temer, entretanto, não passou
despercebido pelo parlamentar. Fernando Hugo classificou a convocação das
forças armadas de “ato quase desesperado” frente aos reclames do presidente da
Câmara (Rodrigo Maia) e do próprio (ministro da Defesa) Raul Jungmann.
Para o deputado Ely Aguiar (PSDC), “a manifestação nas ruas
é constitucional, mas a bandidagem, anarquia não pode acontecer porque pede
apoio popular. ” O deputado Audic Mota (PMDB) cobrou uma ação enérgica, forte e
exemplar por parte do Governo Federal. E o deputado Lucílvio Girão ressaltou
que “é a favor da democracia ordeira, sem vandalismo”.
Abordagem
Em outra vertente, a deputada Rachel Marques (PT) lamentou a
forma como os manifestantes que participavam do movimento “Ocupa Brasília”
foram abordados pelas forças de segurança.
“Pudemos acompanhar, pelas redes sociais, a quantidade de
feridos pela forma truculenta como a tropa policial agiu. Foi uma medida
totalmente autoritária contra pessoas que estavam exercendo um direito”,
criticou a parlamentar, voltando a defender a convocação de eleições diretas
para a escolha de um novo presidente.
Já o deputado Carlos Felipe (PCdoB) avaliou o decreto que solicitou o uso das forças armadas como uma medida exagerada. “Não concordo com depredação de patrimônio público, assim como não concordo com ações truculentas por parte das forças armadas”, declarou ele. Moisés Braz (PT), embora favorável às manifestações, lamentou os atos de vandalismo.
Câmara
O assunto também ocupou a tribuna da Câmara Municipal de
Fortaleza. O vereador Dr. Porto (PRTB) fez uma reflexão sobre o cenário
político nacional. “Precisamos analisar o quadro geral, pois, mesmo condenando
a corrupção, muitos eleitores tentam corromper o político em benefício próprio.
Muitos nem lembram em que votou e a fala comum é que todos são iguais. Vamos
começar a ter responsabilidade e decidir o destino do nosso país. Essa é nossa
oportunidade de mudança”, frisou ele.
A vereadora Eliana Gomes (PCdoB), por sua vez, lamentou os
episódios ocorridos em Brasília e condenou a atitude do Governo Federal, que
convocou o exército brasileiro para conter as manifestações. A parlamentar
destacou que a população tem o direito de escolha e de lutar por “Diretas Já”.
A vereadora Larissa Gaspar (PPL) e o vereador Iraguassu
Filho (PDT) também repudiaram a ação de Michel Temer, que convocou as Forças
Armadas. “Ao acionar militares sem comunicar previamente ao governo local, o
Planalto desrespeitou a Lei Complementar nº 97/99. O fato só retrata a grave
crise política do país, e não é a violência e nem a restrição de liberdade que
a resolverão. A solução virá do estrito respeito à Constituição e às leis em
vigor. Sabe-se que os excessos e depredações não foram das forças sindicais, e
sim, de criminosos infiltrados no movimento”, salientou Iraguassu.
Redação Web Rádio Alto Santo


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