Secretário Educação de Alto Santo (CE), Alessio Costa Lima, participou nesta quarta-feira (28), do 1º Congresso da Associação de Jornalistas de Educação
Undime debate a educação em tempos de incerteza no 1º Congresso da Jeduca
O presidente da Undime e Dirigente Municipal de Educação de Alto Santo (CE), Alessio Costa Lima, participou nesta quarta-feira (28), do 1º Congresso da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), em São Paulo. O evento vai até amanhã (29) e tem como objetivo reunir jornalistas, educadores, representantes do governo e de órgãos que fiscalizam o governo para discutir temas da educação e do jornalismo especializado na área.
A Undime foi convidada para debater "A educação em
tempos de incerteza" na mesa que contou também com a participação do
presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e
secretário de Estado da Educação do Ceará, Idilvan Alencar; da
presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscilla Cruz; e do
coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara. O
debate foi mediado pelo jornalista Antônio Gois, que é presidente da Jeduca,
colunista de educação do jornal O Globo, comentarista da rádio CBN e repórter
do Canal Futura.
Na ocasião, o presidente da Undime ressaltou que a imprensa
tem um papel estratégico social e político de grande relevância. "Vocês
são formadores de opinião e têm nas mãos uma responsabilidade enorme",
disse Alessio. Para o presidente do Consed, o país vive atualmente uma onda
conservadora muito forte e a escola tem papel fundamental no sentido de
combater o preconceito e as adversidades. "É através da educação que
podemos mudar isso", enfatizou Idilvan.
Perguntado sobre como separar o que é crise e o que é de
fato uma ação intencional do governo, o presidente da Undime disse acreditar
que é preciso identificar e focar no que é política estruturante. "O que
não é estruturante, é superficial. Não vai resolver problemas na educação. É
preciso mapear quais são as grandes políticas públicas, porque elas estão
continuando ou porque não estão continuando, porque se aumentou o investimento
em determinada política ou porque não se aumentou". Como exemplo, Alessio
citou a Lei 13.348/ 2016 que alterou as regras do programa Brasil Carinhoso.
"O Brasil Carinhoso foi umas das poucas políticas que, de fato, fez chegar
dinheiro para as crianças de 0 a 3 anos. Criar uma lei que estabelece várias
travas e que impede que os municípios recebam os recursos, gera uma situação de
instabilidade, de descontinuidade", lembrou Alessio.
Ainda sobre o mesmo assunto, a presidente-executiva do Todos
pela Educação endossou a ideia de que a descontinuidade das políticas públicas
é um fator prejudicial. "Esse é um grave problema brasileiro e é uma coisa
que os jornalistas poderiam questionar mais os governos na hora de abandonarem
ou reduzirem uma política", disse Priscilla Cruz. Para ela, a imprensa tem
nas mãos o poder das boas perguntas para a garantia de uma boa cobertura
jornalística.
O coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à
Educação aproveitou o momento para pautar o Plano Nacional de Educação e o não
cumprimento das metas e estratégias. "É consenso hoje no debate público
brasileiro que o Plano Nacional de Educação vem sendo descumprido. A gente tem
uma avaliação mais dura do descumprimento do PNE porque nós participamos muito
da sua construção e sabemos o quanto cada dispositivo está vinculado ao outro
e, quando você analisa qualitativamente o descumprimento, o que fica evidente é
que aquilo que depende de maior ação do governo federal não está sendo
realizado. E eu quero reiterar, aqui, que isso começa no governo da presidenta
Dilma com o ministro Joaquim Levy que apresenta um corte de recursos de 11
bilhões de reais e o grande prejudicado é o município, porque eram exatamente
as parcerias de educação infantil", disse Daniel. A partir daí, segundo
ele, houve um efeito cascata que em seguida se agravou com a Emenda
Constitucional nº 95/ 2016.
Para o presidente da Undime, as metas e estratégias do PNE
dependem de investimento. “Não é possível melhorar a qualidade do ensino
somente com o aperfeiçoamento dos mecanismos e das práticas de gestão. Temos
que aperfeiçoar também os mecanismos de financiamento e não devemos cair na
tentação de reduzir o problema da educação à falta de gestão. Precisamos
reconhecer que temos uma dívida acumulada de abandono da educação no país”,
ressaltou Alessio.
O vídeo completo do debate está disponível no canal do
Youtube da Jeduca e pode ser visto aqui:







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