Tensão e agressão verbal marcam encontro de alocação de água

Um clima de tensão, com agressões verbais contra representantes da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) e da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) e a disputa por água entre o Bacia do Baixo Jaguaribe e a Bacia Metropolitana marcaram o Seminário de Alocação Negociada de Água dos Vales Jaguaribe e Banabuiú, realizado, ontem, na cidade de Iguatu, no auditório do Campus Multi-Institucional Humberto Teixeira. O encontro foi promovido pela Cogerh.

ORÓS 
Com relação à alocação de água do Açude Orós ficou definida a liberação  de 3m3/s para atender localidades e cidades do médio Jaguaribe, indo até Jaguaretama. A proposta apresentada pelos usuários e integrantes da Bacia Hidrográfica do Alto Jaguaribe de reduzir para 2m3/s foi derrotada. Em dezembro, segundo previsão da Cogerh, o reservatório deve chegar a 5% de sua cpacidade. Hoje está com 10%.

“Estamos vivenciando uma crise hídrica que vai se agravar e ainda estão brigando por água para irrigação”, lamentou Paulo Landim, integrante do comitê. “Os moradores de Orós, de Icó e de localidades rurais vão ser prejudicados”.

Castanhão 
O evento reuniu usuários e integrantes dos comitês de Sub-bacias Hidrográficas do Alto, Médio e Baixo Jaguaribe, Banabuiú e Salgado. Desde o início da reunião que houve participação exaltada de integrantes dos organismos de representação dos usuários de água, ampliada com a intervenção de produtores rurais que vieram de municípios do Vale do Baixo Jaguaribe em caravana.

Em alguns momentos, participações de diretores da Cogerh foram respondidas com vaias e gritos de ‘mentira’. Mais de 500 pessoas lotaram o auditório e a reunião que começou por volta das 9h30 estendeu-se até as 16h30. De um lado, o governo do Estado querendo manter um mínimo de água para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Do outro, os comitês querendo suspender até dezembro a transferência do recurso hídrico do Açude Castanhão para a Capital, Termelétricas, industrias do Pecém e de outras cidades do seu entorno.  

Por pouco, a proposta de zerar a liberação de água do Açude Castanhão para a RMF não foi aprovada. A intervenção do diretor da Cogerh, Gianni Lima, que apresentou uma proposta conciliadora evitou o agravamento da crise e a necessidade posterior de uma intervenção do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CONERH) que poderia modificar uma decisão coletiva dos comitês.
Foi aprovada, então, a proposta de manter a liberação de 3m3/s para o Eixão das Águas, reduzindo a transferência para a RMF, que deve ficar em torno de 1,2m3/s, manter 0,95m3/s para o Distrito de Irrigação de Tabuleiro de Russas (Distar) e aumentar em 50l/s a vazão atual de bombeamento reverso para o Canal do Trabalhador.

Outra proposta aprovada foi a liberação de 4,5m3/s para o Baixo Jaguaribe, trabalhar para reduzir perdas de perenização e atender abastecimento humano até a localidade de Sucurujuba, em Jaguaruana. Haverá ainda liberação de água para pequenos produtores e consumo dos animais (dessedentação).

Redação Web Rádio Alto Santo
Fonte: DN

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