A nova televisão e a infância: Como monitorar e ensinar a partir da programação
Com o início das férias, pais devem estar atentos à exposição excessiva dos filhos diante da TV. Agora que ela está conectada à internet, a televisão apresenta novas possibilidades às crianças e desafios aos pais
Wilcivânia, 39,e Pedro, 3: durante as férias, a família
elabora programação com a criança, que quase não vê TV (FABIO LIMA)
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Nesse contexto, o uso correto do equipamento e da
programação veiculada por ele pode ser benéfico para a educação das novas
gerações, mas, se feito em excesso, oferece riscos tanto à saúde dos pequenos
(incluindo distúrbios oculares e obesidade), como às suas relações sociais,
como perda de empatia e contato com o outro. Com o início das férias e,
consequentemente, o aumento da permanência das crianças em casa, a atenção para
estes efeitos deve ser reforçada.
“Quanto mais a criança fica presa ao aparelho dentro de
casa, consequentemente mais fora de outras atividades ela está”, explica Daniel
Franco, psicólogo, psicanalista e membro da Associação Cearense de Terapia
Familiar, do Centro Interdisciplinar de Saúde na Primeira Infância e da Liga de
Neurologia e Psiquiatria Infantil da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Segundo o profissional, o isolamento causado pela tevê, além de prejudicar a
saúde, cerceia o contato da criança com a família — quando esta não se envolve
na ação.
Luana Timbó, psicanalista do Centro de Referência à Infância
(Incere) e professora do curso de Psicologia da Fanor/DeVry, considera essa uma
visão pessimista do uso da televisão. Ela pontua que, no contexto positivo, a
tecnologia possibilita a participação mais direta dos jovens na sociedade,
principalmente com o uso da internet, “ressaltando as produções próprias sem
intermédio de adultos” — a exemplo dos youtubers mirins.
O que Luana entende como uso otimista, a doutora em Ciências
Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e vice-coordenadora do
Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Juventude e Mídia (Grim) da UFC, Inês
Vitorino, assimila como oportunidade. Para a profissional, o contato com o
conteúdo audiovisual possibilita acesso a conhecimentos científicos e ampliação
do repertório cultural.
No entanto, quando associada a televisão à internet e às
novas mídias móveis, segundo Vitorino, existem riscos relacionados “à
privacidade e ao uso indevido de dados e da imagem das crianças e seus grupos
de pertença e novas formas de trabalho infantil e de exposição da criança na
vida pública. (...) Por outro lado, há oportunidades de livre expressão da
criança sobre questões que lhe dizem respeito, de acesso à informação”, conclui
a pesquisadora.
Nas próximas páginas desta edição, o Ciência & Saúde
aprofunda com especialistas os benefícios e malefícios da relação mídia e
infância, mostra relatos de pais que acompanham a rotina dos filhos diante da
tevê e dá dicas de como fazer dessa atividade uma forma de educar os pequenos.
Boa leitura!

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