Crise na OI. Comunidades em risco de isolamento
Economia: A Oi é a única operadora com torre ativa em dois municípios do Ceará, Deputado Irapuan Pinheiro e Abaiara. Crise que pode levar empresa à falência é ameaça de isolamento para ambos
Antônia Lindalva de Almeida acorda cedo. Antes das 5h, ajuda
o marido nas obrigações do roçado, em Deputado Irapuan Pinheiro, a 330
quilômetros de Fortaleza. Na alternância do cabo da enxada, o arado e o cuidado
com os animais, o alento da agricultora é conversar com o filho que está em São
Paulo. Usa o celular que comprou há quatro anos. Não é um aparelho moderno,
cheio de funcionalidades. “Só uso mesmo para falar com ele. Antes conversava a
cada 24 horas. Agora a gente se fala a cada quatro dias. Está muito ocupado com
o barzinho dele”, orgulha-se ao falar do
trabalho do rebento empreendedor.
A conversa entre mãe e filho está ameaçada. Depende da
solução de um impasse de R$ 65 bilhões, do qual Lindalva nunca ouvira falar. O
valor é o montante de dívida da Oi, única operadora com torre de comunicação
ativa no município, que passa por um processo de recuperação judicial desde
junho de 2016. “A gente não sabia que a empresa passava por essa situação. Deus
me livre que isso aconteça. Ela é muito boa. Saindo daqui, acabou. A gente não
vai poder se comunicar”, lamenta.
As alternativas para a empresa, que também é a
concessionária de telefonia fixa, são: reestruturar-se financeiramente ou, na
pior das hipóteses, ter sua outorga extinta pelo Governo e ser fatiada entre os
grandes grupos. O borracheiro João Barros, conhecido como Adolfo, não espera
que a empresa encerre o sinal hoje existente na zona rural de Irapuan Pinheiro.
“Problema todo mundo tem, não é? Mas acho que ela passa por
isso”, afirma otimista. Ele usa o celular que comprou há sete anos para se
comunicar com os irmãos, que também estão em São Paulo. “Aqui e acolá, eles
ligam. Se ela sair e não entrar outra, o negócio vai desandar. Resolvemos tudo
por telefone”, disse. O celular o ajuda no serviço da borracharia. “Alguém teve
um problema no pneu, eu vou lá e ajeito. Pode ser em qualquer lugar. O pessoal
me liga e a gente vai lá consertar. Sem telefone, vai ficar difícil ganhar um
dinheirinho”.
Redação Web Rádio Alto Santo
com informações do site O POVO.


Sem comentários:
Enviar um comentário